quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Star Wars: Episódio Órbita


Que tal uma balada em Mos Eisley? Ou melhor, que tal trazer o ambiente da Cantina de Mos Eisley pra uma balada?  Pois foi isso que a S1 Produções elaborou para celebrar a chegada do novo episódio de STAR WARS, o Ep VIII. A praia da Produtora S1 é justamente a cultura Pop e temática Nerd/Geek, então não se espante com a quantidade de atrações sintonizadas com o poder da FORÇA.

A parceria com o Órbita Bar vai levar a galera pra outra dimensão com o tema STAR WARS e o combate entre Sith e Jedi — o público está convidado a escolher seu lado usando roupas claras ou escuras ou mesmo comparecer trajado de Jedi ou Sith. Os melhores trajes vão concorrer a prêmios.

A música fica por conta de 2 DJs que tocarão pop (representando o lado da luz) e o melhor do rock (para representar o lado sombrio), e a banda L2TP, que contara com os vocalistas Natasha Maciel e Jeff Pereira, fazendo o duelo Rock (Lado Sombrio) e POP (Lado da Luz) para trazer equilíbrio a festa e a Força.
Texto Laboratório Espacial sobre o Press Release 

Star Wars: Episódio Órbita
Data: 02/12
Horário: 21h
Ingressos: 20 meia / 40 inteira / 30 promocional (quem confirmar no evento)
Local: Órbita Bar -  R. Dragão do Mar, 207 - Praia de Iracema
Link do evento:
Mais informações:
(85) 988396234

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Jack Kirby: Eterno



O Trabalho de Jack Kirby, o  Rei dos Quadrinhos, influenciou gerações de leitores e artistas, influenciou quadrinhos, animação, cinema e games. Certamente continuará influenciando novos autores e novas mídias por muito tempo. Pensando nisso o Laboratório Espacial reuniu a opinião de profissionais da arte sequencial (e áreas correlatas) a respeito do Mestre, da Lenda, do Rei Jack Kirby, seu trabalho, sua obra e sua influencia. 


"A influência do Jack Kirby não fica só no âmbito das HQs, ele hoje é a influencia na arte visual em geral; coisas como a estilização gráfica tão específica e uma narrativa sem igual, de forma consistente leva os olhos do leitor por suas páginas. Tudo que vemos na cultura pop hoje baseia-se nas ideias de Kirby, não importa o trabalho que ele tenha feito pra mim o cara é único: cada vez que passo os olhos por um trabalho dele me incentiva cada vez mais fazer quadrinhos, aprender e evoluir no meu trabalho."
Débora Caritá (Desenhista)
 Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial


"Dinamismo! Essa palavra sintetiza, em grande parte, a influência de Kirby no mundo dos Comic Books. Não refiro-me à superfície (no que concerne ao desenho da figura humana), mas à estrutura: Poses, disposição de manchas escuras, emprego de sinais gráficos (estilização de linhas de impacto, linhas cinéticas, linhas de movimento), diagramações e tantos outros recursos. Para esmiuçar e fazer jus a isso, não cabe um par de parágrafos. Portanto, vou me ater ao seguinte: Se ainda não consegui demonstrar-lhe o porquê da importância e influência de Jack (The King) Kirby, se não fui capaz de clarificar a realeza que coroa um dos nomes mais respeitáveis da indústria, permita-me lembrar-lhe, ó reticente leitor, tão somente disto... Jack Kirby criou DARKSEIDE. E, se você não tem respeito por isso... Deveria ao menos ter medo!
Diêgo Silveira (Jornalista, Ilustrador, Prof de Desenho e Quadrinhos) 
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial 


 
Talvez você conheça o tamanho da influência de Jack Kirby, talvez não, mas é bem possível que tenha se divertido com algum episódio da versão animada do Universo DC capitaneado por Bruce Timm, certo? Pois bem, Timm já revelou que na hora de melhorar um personagem, sempre se perguntava como Jack Kirby faria. Preciso dizer mais?"
Dennis Rodrigo Oliveira
(Publicitário, Ilustrador, Autor e Editor de Quadrinhos) 
 Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial 


"Kirby foi um daqueles poucos quadrinistas que podemos chamar de gênio.  Sua força criativa  de pensar e fazer o diferente em momentos de sua carreira profissional  nos quadrinhos,  são fatos incontestes de sua genialidade criadora. Kirby durante sua vida criou conceitos, personagens e sofisticou com propriedade a narrativa de quadrinhos de super-heróis, ao introduzir o conceito da cena de ação/dramática em suas paginas, que transformavam assim suas paginas em verdadeiras cenas filmadas, que geravam no leitor uma alta carga de adrenalina jamais vista antes."
Eduardo Silva Pereira
(Cineasta, Escritor, Pesquisador de Cinema e Quadrinhos, Colecionador, Diretor da Biblioteca Dolor Barreira e da Gibiteca de Fortaleza)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial




 
"A Marvel, a DC Comics e, basicamente, toda a era moderna dos quadrinhos de super-heróis têm uma grande dívida para com Jacob Kurtzberg, mais conhecido como Jack Kirby.
Um visionário surpreendente, “O Rei” não inventou o gênero dos super-heróis, mas sem dúvida alguma, o aperfeiçoou de forma que os ecos de sua contribuição à cultura popular mundial reverberam até hoje, mais de duas décadas após sua morte.
Minha infância, embora na época eu ignorasse este fato, foi permeada pela presença de Jack Kirby. Do capitão América à Darkseid, sua assinatura visual ímpar, capaz de induzir a ideia de cor, mesmo em desenhos preto e brancos, inundou minha imaginação com um oceano quase psicodélico de formas e estilo." Ainda mais espantoso do que a força e beleza de seu trabalho é considerar a insana velocidade com que era produzido.
Viva o Rei!

Fernando Lima
(Jornalista, Designer, Ilustrador Autor e Editor de Quadrinhos, Co-Editor do Laboratório Espacial)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial 





"Em franco contraste com as cenas dinâmicas de ação que colocava em seus inesquecíveis trabalhos, Jack foi um dos criadores mais gentis e agradáveis que tive o prazer de conhecer".
Jim Lee
(Editor e Desenhista)
Depoimento cedido a Wizard Magazine.






"A Força de Kirby vai além dos painéis. Primeiro porque seus personagens extrapolavam os formatos regulares dos quadros e páginas, depois porque foi essa imensa força que o retirou do gueto e o levou a ser respeitado e amado por celebridades do mundo inteiro. Kirby conhecia o desenho a ponto de refazer e recriar formas e regras. Em suas várias fases de trabalho é possível perceber novas experiências novas ousadias. Kirby evoluiu o estilo dentro do estilo, evoluiu a linguagem e a forma sem perder a essência, sem perder a legibilidade. Impacto, ação, velocidade são palavras que surgem sempre que lembramos o trabalho de Kirby e junto com essas podemos acrescentar sensibilidade, visão e transcendência."
JJ Marreiro (Editor-Chefe do Laboratório Espacial e Autor de Quadrinhos)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial



"Quando se pensa em quadrinhos, o nome Jack Kirby, o Rei da Nona Arte, é essencial.
Ele é como Orson Welles no cinema, Shakespeare na dramaturgia, Picasso na pintura, Burle Marx no paisagismo, Gaudí na arquitetura... O caminho aberto por Kirby (com seu traço vigoroso e cenas de ação que pulavam da página) deu o tom que a indústria seguiu por décadas.
Em tempos atuais, quando o caráter das pessoas (inclusive de muitos artistas) anda meio nas trevas, Kirby mostrava-se um herói tanto na prancheta (quando desenhava quase 100 páginas mensais, um recorde inalcançável) quanto fora dela.
São notórios seus atos de bravura quanto serviu na Segunda Guerra Mundial e arriscou a vida várias vezes. Mas ele também era todo retidão nos bastidores: quando foi para a DC, Kirby preferiu trabalhar numa revista secundária, e que não tinha artista fixo, só para não tirar o emprego de ninguém.
Coisas assim é que tornam sua majestade eterna."

Manuel de Souza  (Editor da revista Mundo dos Super-Heróis)
Depoimento cedido em exclusividade para o Laboratório Espacial 


"O Kirby é minha principal influência. Foi por causa dele que eu quis desenhar qualquer coisa. Claro que existem outras influências, mas sem dúvida a dele é a maior.
bom.. pra mim o entendimento da dinâmica de composição do gênero super-herói veio do Kirby.. a maneira como ele construiu uma composição de quadros ainda é a grande fonte dos desenhistas.. mesmo que eles não saibam disso. Pra mim existia uma dinâmica de composição de cena, de dinâmica de cena... de linguagem gráfica de cenas de ação, vieram do trabalho dele.. na minha opinião se fazia quadrinhos de ação antes do Kirby e depois do Kirby. não é só a questão de estilo de desenho.. mas de como se entende a construção de uma cena de ação.. claro que ele tem influência também.. que vieram desde Michelangelo até Alex Raymond por exemplo.. na estruturação de uma dinâmica de cena.. mas acho que foi ele que entendeu e estruturou melhor isso na linguagem de quadrinhos e tal.. isso na minha opinião, claro."

Marcelo Campos
(Diretor da Quanta Academia de Artes e Autor de Quadrinhos)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial



" Resquícios nos traços de artistas, há pouco. A não ser quando alguém quer imitar o estilo do Kirby para uma homenagem ou para dar um toque retrô em uma narrativa. Mas influência na indústria? Acho que o trabalho de Kirby está por toda parte.
Seja porque ele criou o estilo épico de narração nos quadrinhos de super-heróis, que ainda dá a tônica do mercado, seja na narrativa ágil. Ou até nos próprios personagens. Quase tudo que se faz no universo Marvel hoje ainda é herança do trabalho do Kirby no início (assim como do Lee, claro). O filme da Liga da Justiça deveria se chamar "Liga da Justiça contra um monte de coisas que Jack Kirby criou".

Maurício Muniz
(Jornalista, Editor de Quadrinhos e Livros e Tradutor) 
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial 
 



"Jack Kirby foi um dos maiores artistas de nosso tempo e não me refiro só aos quadrinhos, mas a arte em geral. Seu gênio criativo vai continuar inspirando artistas por muitas gerações."
Mike Deodato
(Desenhista e Autor de Quadrinhos)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial  


 


"Jacob Kurtzberg, mais conhecido como Jack Kirby, foi um dos mais influentes artistas na história das HQs. Ao lado de Stan Lee foi um dos arquitetos do Universo Marvel, tendo criado em parceria com o roteirista os principais heróis da casa participando inclusive dos roteiros.  Entre suas contribuições técnicas vale destacar, criou os Splash Pages e  as Double-Page Spread (páginas de um único painel e páginas duplas) além dos Kirby Crackle que retrata grandes massas de energia."
Ricardo Quartim
(Jornalista, Escritor, Apresentador do Videocast DROPS Ricardo Quartim)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial



"Quando eu era garoto, um dia vi uns quadrinhos em que os personagens eram meio "quadradões", com mãos enormes e sempre em poses heroicas. De cara, não me conquistaram, mas fui aprendendo a gostar mais e mais. Na época, nem me ligava nos autores das histórias. O tempo passou, o interesse pelos quadrinhos aumentou e eu descobri que Jack Kirby era diferente dos demais. E virei fã. Incondicional. Suas tomadas de cena são atuais até hoje. E seu estilo pode ter muitos seguidores, mas é praticamente inimitável. Vida longa ao Rei."
Sidney Gusman
(Editor-Chefe UniversoHQ.com, Planejamento Editorial Mauricio de Sousa Produções)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial



"Nunca houve um artista que tenha procurado Jack em busca de algum conselho ou ajuda e que ele tenha negado"
Stan Lee (Editor e Roteirista)

Depoimento cedido à Revista Wizard







"Eu escrevi uma Graphic Novel chamada The Dreamer na qual Jack Kirby aparece e ele disse pra um amigo nosso: "Acho que o Will não gosta de muito mim" (risos). Ele sempre me chamava de "Chefe"(risos). E eu dizia: Jack nós somos homens velhos agora, você não tem mais que me chamar de "Chefe". "Não", ele dizia, "você continua sendo meu Chefe" (risos)."
Will Eisner (Editor e Autor de Quadrinhos)
Depoimento cedido à Revista Jack Kirby Colector

 


"Jack Kirby foi uma força criadora importantíssima para o universo das histórias em quadrinhos em especial aos super-heróis. A Marvel que conhecemos hoje nos cinemas está totalmente alicerçada nos personagens que ajudou a criar juntamente com Stan Lee. Duas mentes brilhantes, na minha opinião, um não poderia existir sem o outro."
Will Sideralman (Ilustrador, Designer, Autor de Quadrinhos)
Depoimento cedido com exclusividade para o Laboratório Espacial
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/05/jack-kirby-100-anos.html





quarta-feira, 8 de novembro de 2017

DICAS DE PRODUÇÃO — Tira: tema e decupagem








Uma tira é uma História em Quadrinhos curtinha. Ela possui o formato predeterminado pelo suporte onde será publicada, por isso algumas revistas e jornais possuem tamanhos e proporções distintas. O padrão internacional entretanto é o de 9cm de altura por 29cm de comprimento.

Antes de começar a sua tira você deve ter em mãos seus personagens, de preferência numa ficha modelo (onde é possível ver a altura e poses típicas do personagem, bem como expressões faciais) e algumas ideias, temas ou motes para explorar. Se for desenhar tipos genéricos (personagens quaisquer) não precisará de uma ficha modelo, mas mesmo assim seria útil um guia de referências.

Uma tira normalmente funciona bem com situações curtas e objetivas, assim como há uma média de painéis que possibilitam uma boa leitura e ritmo. Poucos painéis oferecem uma boa organização espacial e propõem clareza, uma quantidade muito grande de painéis pode deixar a tira "pesada" ou sem boa legibilidade. A grande maioria dos tiristas usa três painéis para explorar uma história ou situação, mas eventualmente vc encontrará tiras bem executadas com um, dois, três ou mais painéis.

TEMA
As tiras de humor são sem dúvida as mais populares hoje em dia e um recurso útil é o de fazer várias tiras explorando um mesmo assunto ou tema, investigando-o com bom humor por diversos prismas. É claro que nessas horas um bloco de notas pode ajudar bastante pois, facilita a listagem das situações e ainda podem ser usadas depois quando estiver sem ideias.

Escolha um tema, imagine quantas situações podem surgir desse tema. Os personagens podem conversar sobre isso de diversas maneiras e você pode explorar suas visões de mundo ou mesmo adaptar piadas populares e com isso gerar uma boa quantidade de tiras. Quando o assunto perde a graça para o autor é a hora de parar e mudar de assunto ou tema. O curioso é que se o autor voltar ao mesmo tema noutro dia, sua visão será outra e novas situações podem ser pensadas e criadas, pois todo dia aprendemos algo novo e tudo isso amplia e refina nosso repertório de ideias.

Os temas que podem dar origem a tiras são infinitos, mas aqui segue uma lista que pode ajudar em seus primeiros passos: Escola (professores e alunos); Trânsito; Briga de Casal; Jantar em Restaurante (garçom e cliente); Ponto de Ônibus; Família (Tios, avós, sogra, pais e filhos, namorado da filha); Animais de estimação; Pileque; Futebol; Atendimento Médico. Enfim, tudo pode virar tema para tiras, mas algumas das melhores situações surgem da observação do mundo real, o seu dia está repleto de pequenas situações que podem acabar gerando tiras muito boas.

DECUPAGEM
Decupar, no que diz respeito a arte sequencial, é recortar a narrativa em unidades visuais (painéis). Numa narrativa em quadrinhos é essencial que cada painel seja claro, objetivo e que o leitor reconheça todos os elementos mostrados ali.
Uma tira possui um assunto explorado em imagens e diálogos. Uma história bem humorada, uma piada ou situação podem dar origem a uma tira, mas para fazer a tira funcionar é necessário recortar os momentos chave, organizá-los e inserir um ritmo de leitura.
Uma mesma situação pode gerar uma infinidade de ritmos de leitura dependendo dos recortes narrativos escolhidos pelo autor. Veja a seguir algumas maneiras de narrar visualmente um mesmo fato. (As cenas foram construídas usando principalmente fotos e modificações digitais a título de mostrar que não apenas o desenho pode constituir o elemento visual numa HQ).


Nesta primeira versão temos três quadros contando a história. No primeiro painel temos uma ambientação ou contextualização. No segundo o cerne da energia e do movimento e no terceiro a conclusão. Note que as onomatopéias somam informações importantes ao mesmo tempo em que ampliam o caráter emocional da cena. Repare que o ritmo possui um andamento mais tradicional já que foi utilizado o formato padrão de três quadros para a tira. Os quadros nesta tira mostram: expectativa, ação e conclusão. Uma narração visual bem direta. Sem floreios.


Observe que na segunda versão o ritmo é diferente e elementos diferentes foram usados para narrar o mesmo fato. Enquadramentos e quantidade de quadros influenciam na percepção da cena. E as onomatopéias continuam auxiliar a narrativa em termos de informação. O som do apito ao lado da imagem do juiz intensificam o significado e percepção da ação de apitar do mesmo modo que o ruído "SHOOT" amplia a força da imagem. Aqui há um gracejo com a palavra Shot, que em inglês significa TIRO ao mesmo tempo que em português possui pronuncia parecida com a palavra CHUTE. A Exemplo dos mangás (e dos cartuns) a deformidade na bola dá intensidade e velocidade ao movimento. Nesta segunda versão temos: expectativa , ação, ação e conclusão.

 Nesta terceira versão os closes ampliam as informações emocionais, retratam exatamente a tensão do goleito e o foco (e concentração) do atacante. Novamente as linhas cinéticas dão o tom do movimento e ao final embora não vejamos a bola na rede temos a conclusão com a explosão emocional da torcida frenética gritando gol. Aqui a cena foi narrada em 5 painéis, cada um ampliando a quantidade de informações visuais e emocionais. O espaço da tira (9cm por 29cm) foi mantido e a qualidade da percepção visual permanece mesmo com o uso de cinco painéis para narrar a cena. E podemos dizer que a tira mostra: expectativa, expectativa, expectativa, ação e conclusão. O nível de tensão nesta versão é um pouco mais elevado que nas versões anteriores.

A quarta versão, logo abaixo, não possui apoio de onomatopeias. Apenas as imagens conduzem a cena.
 
 O número de quadros da versão 04 é exatamente o mesmo da versão 03. A ausência de palavras ou efeitos sonoros pode afastar leitores que não tenham muita convivência com arte sequencial, por outro lado pode promover um nível de imersão mais profundo justamente por exigir que o leitor reflita sobre cada imagem antes de seguir para a próxima.

Vamos para mais uma versão.




Não sei quanto a você, mas eu praticamente consegui ouvir a voz do Galvão Bueno. Mas vamos lá: Diferente das versões anteriores, aqui temos o uso de recordatórios com o texto narrativo. Desta vez são seis painéis mantendo ainda uma boa visualização das imagens. A contextualização fica por conta da narração, assim como a descrição da ação do personagem, que não aparece, a não ser como uma sombra nos painéis 4 e 5. Esta narrativa provoca a criatividade e imaginação do leitor sem deixar dúvidas do que está acontecendo. As onomatopéias foram omitidas deixando o texto ainda mais precioso. É importante lembrar que as imagens mostradas no interior dos painéis são escolhas do artista. Artistas diferentes fariam escolhas diferentes, o que mede o resultado em termos de êxito é se o fato ficou compreensível.

A seguir você tem exemplos de transformação de anedotas em tiras com textos bem simples. E lembre-se a escolha dos momentos que conduzem a narrativa constituem a decupagem.

A Hora do Remédio (anedota popular)
Argumento:
Médico conversando com o paciente.
Médico: Eu disse pra você tomar o remédio às 9h, porque tomou às 6h?
Paciente: Pra pegar as bactérias de surpresa, Doutor!

Veja como ficou a tira:

Esse argumento pode funcionar muito bem com um ou dois quadros. O uso de três quadros dá uma percepção melhor de compasso na leitura inserindo um componente de timming, um ritmo com preparação para o desfecho da piada. A execução da tira em um só quadro (ou painel) cortaria a expectativa gerada pela mudança de quadro na leitura. No final das contas a decupagem precisa servir a compreensão da narrativa, cumprido esse quesito o que resta é uma questão de escolhas pessoais do artista.


Relógio Bonito (anedota popular)
Argumento:
Dois amigos se encontram na rua e um deles tem um relógio no pulso.
—Relógio bonito. Deve ter sido bem caro. Quanto pagou?
—Nada. Ganhei numa corrida.
—Sério? E tinha muitos competidores?
—Não. Só três: o dono e dois policiais.

Veja como ficou a versão da tira:














O jeito de contar, de mostrar pode ser diferente, podendo ter mais quadros ou menos quadros, o importante é que a situação fique fácil para o leitor entender. Lembre-se que as escolhas das imagens, o posicionamento dos balões, a quantidade de quadros , tudo deve estar a serviço de deixar a história clara e compreensível, afinal de contas, como já afirmaram Will Eisner, Flávio Colin, Maurício de Sousa e Ozamu Tezuca: a coisa mais importante numa História em Quadrinhos é a História.




MAIS: 
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/06/como-funciona-um-gabarito-de-quadrinhos.html








http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/02/sobre-tiras.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/02/tiras-tamanhos-e-proporcoes.html










http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2017/05/dicas-para-montar-e-apresentar-um.html


http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/07/criacao-de-personagens-por-jj-marreiro.html
http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/2016/07/criacao-de-personagens-por-jj-marreiro_22.html